Bacalhau à Gomes de Sá




Toda receita tem uma história — algumas bem documentadas, outras envolvidas em lendas e tradições transmitidas de geração em geração.

Quando um prato atravessa fronteiras, conquista diferentes culturas e se transforma em um verdadeiro ícone da gastronomia mundial, conhecer sua origem torna a experiência ainda mais interessante. Para mim, investigar essas histórias é quase tão prazeroso quanto saborear o próprio prato.

Hoje vamos conhecer um dos grandes clássicos da cozinha portuguesa:

Bacalhau à Gomes de Sá

O comerciante que perdeu o negócio, mas deixou uma receita para a história

O Bacalhau à Gomes de Sá é um belo exemplo de prato que recebeu o nome de seu criador.

José Luís Gomes de Sá nasceu na cidade do Porto, em Portugal, em 1851, e era filho de um importante comerciante de bacalhau. Após a morte do pai, herdou o negócio da família, mas não teve o mesmo sucesso na administração e acabou enfrentando dificuldades financeiras.

Foi então que passou a trabalhar ligado à cozinha e à gastronomia, período em que teria desenvolvido a preparação que mais tarde levaria seu nome.

Segundo a tradição, Gomes de Sá fazia questão de preservar a identidade de sua criação e teria alertado que qualquer alteração significativa nos ingredientes faria com que o prato deixasse de ser o verdadeiro Bacalhau à Gomes de Sá.

Um dos detalhes que ajudaram a tornar a receita especial era o cuidado dedicado ao bacalhau. As lascas do peixe podiam ser colocadas em contato com leite aquecido, técnica que contribuía para deixá-las mais macias e delicadas.

O prato combina alguns dos ingredientes mais representativos da cozinha portuguesa: bacalhau, batatas, cebola, alho, ovos cozidos, azeitonas pretas, salsa e bastante azeite de oliva.

Simples em sua composição, mas extremamente rico em sabor.

É justamente essa combinação entre tradição, bons ingredientes e respeito à técnica que transformou o Bacalhau à Gomes de Sá em um dos pratos portugueses mais conhecidos no mundo.

Bacalhau à Gomes de Sá

Ingredientes

  • 200 g de bacalhau em posta, dessalgado

  • 200 g de batatas cortadas em rodelas

  • 2 ovos cozidos

  • 100 g de azeitonas pretas

  • 1 folha de louro

  • Água quanto baste

  • 1 cebola cortada em rodelas

  • 200 ml de azeite de oliva

  • 2 dentes de alho picados

  • Sal a gosto

  • Pimenta-do-reino moída na hora a gosto

  • 1 xícara de salsa picada

Modo de preparo

  1. Coloque o bacalhau em uma panela com a folha de louro, um pouco de azeite e água suficiente para cobri-lo. Cozinhe delicadamente, sem deixar ferver intensamente. Se preferir, essa etapa também pode ser realizada com leite.

  2. Retire cuidadosamente o bacalhau e reserve o líquido do cozimento.

  3. Cozinhe as batatas nesse mesmo líquido até ficarem macias, porém ainda firmes.

  4. Retire a pele e as espinhas do bacalhau e separe-o delicadamente em lascas ou pétalas grandes.

  5. Em uma frigideira, aqueça parte do azeite e refogue o alho e parte da cebola até ficarem macios e levemente dourados.

  6. Acrescente as lascas de bacalhau e envolva-as delicadamente no refogado, tomando cuidado para não desmanchá-las.

  7. Em outra frigideira, aqueça um pouco de azeite e doure levemente as rodelas de batata e o restante da cebola.

  8. Em um refratário, faça a montagem começando com uma camada de cebola. Distribua as batatas, o bacalhau e finalize com o restante da cebola.

  9. Regue generosamente com azeite de oliva.

  10. Leve ao forno preaquecido a aproximadamente 200 °C por cerca de 15 minutos, ou até que todos os ingredientes estejam bem aquecidos e levemente dourados.

  11. Retire do forno e finalize com os ovos cozidos cortados em rodelas ou gomos, as azeitonas pretas e bastante salsa fresca picada.

  12. Sirva imediatamente.

Dica da chef

O segredo desta preparação está em não ressecar o bacalhau. O peixe deve permanecer úmido, macio e se soltar naturalmente em lascas.

E não economize no bom azeite: ele não é apenas um complemento, mas um dos protagonistas da receita.

Um prato que nasceu da simplicidade e atravessou gerações até conquistar seu lugar entre os grandes clássicos da gastronomia portuguesa.

Bom apetite!

Comentários