Pâte à crêpe — a clássica massa de crêpe francesa



Pâte à crêpe — a clássica massa de crêpe francesa

Uma das preparações mais populares da gastronomia francesa, o crêpe atravessou séculos de história e continua presente tanto nas mesas familiares quanto nos grandes restaurantes.

Sua origem é antiga. Preparações semelhantes já eram conhecidas desde o período romano e atravessaram a Idade Média, incorporando-se aos costumes e às celebrações europeias. Na França, os crêpes tornaram-se especialmente ligados às tradições populares e camponesas, dando origem a inúmeras histórias, lendas e superstições.

E entre todas elas, nenhuma ficou tão famosa quanto a história do Crêpe Suzette.

A lenda do Crêpe Suzette

Segundo uma das versões mais conhecidas, em 1895, o jovem Henri Charpentier preparava a sobremesa para ninguém menos que o Príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VII.

Durante o preparo, teria colocado uma quantidade excessiva de licor sobre os crêpes. A bebida entrou em contato com o calor do réchaud e, inesperadamente, começou a queimar.

Diante da situação, o cozinheiro teria apresentado a sobremesa flambada como se tudo tivesse sido planejado.

Voilà!

O futuro monarca teria gostado tanto da preparação que perguntou o nome do prato. Charpentier teria sugerido um nome em homenagem ao príncipe, mas Eduardo VII pediu que a sobremesa recebesse o nome de Suzette, uma jovem que o acompanhava naquela ocasião.

Nascia, segundo a lenda, o famoso Crêpe Suzette.

A história ainda conta que, dias depois, o cozinheiro recebeu presentes como agradecimento: um anel, um chapéu Panamá e uma bengala.

Entre a lenda e a história

Como acontece com muitas histórias da gastronomia, realidade e lenda acabam se misturando.

Henri Charpentier era muito jovem naquela época, o que coloca em dúvida alguns detalhes dessa versão. Mais tarde, porém, tornou-se um chef conhecido e repetiu a história do nascimento do Crêpe Suzette em entrevistas e também em seu livro Life à la Henri.

Além disso, preparações de crêpes acompanhados de molhos cítricos e bebidas alcoólicas já existiam anteriormente.

Auguste Escoffier, um dos grandes nomes da cozinha francesa moderna, também registrou preparações semelhantes, reforçando que o prato provavelmente resultou da evolução de receitas muito mais antigas.

Tradicionalmente, os crêpes também estavam associados às comemorações do dia 2 de fevereiro, data da Chandeleur, festa religiosa francesa ligada à apresentação de Jesus no templo.

Até hoje, a data é conhecida na França como uma ocasião especial para preparar e comer crêpes.

Crêpes, sorte e superstição

Ao redor do crêpe surgiram inúmeras superstições.

Uma delas diz que cada pessoa deve preparar o próprio crêpe, fazer um desejo e lançá-lo para o alto com a frigideira.

Se ele der uma volta no ar e cair novamente aberto e na posição correta, o desejo poderá se realizar.

Caso contrário... talvez seja melhor esperar até o próximo ano!

Outra tradição manda virar o crêpe segurando a frigideira com uma das mãos enquanto a outra segura uma moeda. Se a manobra der certo, acredita-se que o ano será marcado por prosperidade e boa sorte.

A superstição remonta às antigas comunidades rurais europeias. Em determinadas regiões, camponeses chegavam a deixar um crêpe na cozinha como símbolo de fartura e proteção contra a fome.

Há ainda histórias de antigos costumes medievais nos quais os camponeses participavam de cerimônias envolvendo moedas e crêpes. O sucesso ao virar a massa simbolizava uma boa colheita e melhores condições para o ano seguinte.

Verdade ou não, uma coisa é certa: poucas receitas acumularam tantas histórias ao longo dos séculos.

Do campo para a alta gastronomia

De origem essencialmente popular e rural, o crêpe conquistou as mesas mais sofisticadas.

Hoje, pode aparecer de inúmeras maneiras:

  • doce ou salgado;

  • simples ou recheado;

  • aberto, enrolado ou dobrado;

  • servido como entrada, prato principal ou sobremesa;

  • acompanhado de frutas, chocolates, cremes, queijos, carnes ou molhos.

Apesar das inúmeras possibilidades, uma boa massa deve ser fina, macia, uniforme e delicada.

A frigideira precisa estar suficientemente quente para que a massa cozinhe rapidamente, sem ressecar.

E quando falamos de crêpes clássicos franceses, chegamos inevitavelmente a uma das sobremesas mais famosas do mundo.

Crêpe Suzette

Ingredientes

Massa

QuantidadeIngrediente
4 unidadesOvos
1 pitadaSal
½ xícara (chá)Açúcar
1 lataCreme de leite
1 xícara (chá)Farinha de trigo

Creme cítrico

QuantidadeIngrediente
2 colheres (sopa)Manteiga em temperatura ambiente
3 colheres (sopa)Açúcar
1 colher (sopa)Licor ou suco de laranja
—Raspas da casca de 2 laranjas
—Raspas da casca de 1 limão
Quanto basteAçúcar para polvilhar

Para flambar

QuantidadeIngrediente
3 colheres (sopa)Conhaque
2 colheres (sopa)Licor de laranja

Modo de preparo

Prepare a massa

  1. Coloque no liquidificador os ovos, o sal, o açúcar, o creme de leite e a farinha de trigo.

  2. Bata até obter uma mistura lisa e homogênea.

  3. Deixe a massa descansar enquanto prepara o creme.

Prepare o creme cítrico

  1. Misture a manteiga em temperatura ambiente com o açúcar até formar um creme liso.

  2. Acrescente o licor ou o suco de laranja e as raspas das laranjas e do limão.

  3. Misture bem e reserve.

Prepare os crêpes

  1. Aqueça uma frigideira e unte-a levemente com manteiga.

  2. Coloque uma pequena porção de massa e movimente a frigideira rapidamente para formar uma camada fina.

  3. Quando a parte inferior estiver levemente dourada, vire o crêpe e doure o outro lado.

  4. Repita o processo até terminar toda a massa.

  5. Mantenha os crêpes aquecidos em um recipiente refratário.

Finalização

  1. Espalhe uma pequena quantidade do creme cítrico sobre cada crêpe.

  2. Dobre cada um ao meio e novamente ao meio, formando um triângulo.

  3. Disponha os crêpes em uma travessa ou frigideira e polvilhe levemente com açúcar.

  4. Misture o conhaque com o licor de laranja e aqueça cuidadosamente.

  5. Flambe a bebida e despeje sobre os crêpes, tomando os cuidados necessários ao trabalhar com chama.

  6. Sirva imediatamente.

Dica da chef

O segredo de um bom crêpe está na espessura da massa: quanto mais fina e uniforme, mais delicado será o resultado.

E no Crêpe Suzette, o perfume cítrico é fundamental. Laranja, tangerina e limão trazem frescor e equilibram perfeitamente a manteiga, o açúcar e o licor.

Da cozinha camponesa às mesas da alta gastronomia francesa, o crêpe atravessou séculos sem perder seu encanto.

Bon appétit!

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