Na Europa, especialmente nas regiões de forte influência grega e romana, as especiarias tiveram, durante muito tempo, uma função que ia além da culinária. Muitas eram consideradas substâncias medicinais e, por isso, comercializadas em farmácias. Com o passar dos séculos, passaram a ocupar também um lugar importante na alimentação, sendo utilizadas para temperar e valorizar os alimentos, assim como aconteceu com o açúcar.
O valor das especiarias chegou a ser tão elevado que elas eram cuidadosamente armazenadas e até transmitidas como herança, de maneira semelhante a joias e dinheiro.
Conta-se que a pimenta era negociada colocando-se seus grãos em um dos pratos da balança e, no outro, moedas de ouro. Dessa relação entre especiarias e riqueza teria surgido a expressão popular “a peso de ouro”, associada ao alto valor desses produtos, especialmente das pimentas.
Antes mesmo de chegarem à Índia, os portugueses já conheciam e utilizavam algumas variedades de pimentas provenientes do continente africano. Com a expansão marítima e a chegada ao Oriente, porém, a pimenta-da-índia (Piper nigrum L.) passou a ser importada em grande quantidade, tornando-se uma das especiarias mais apreciadas e comercializadas.
No Brasil, essa especiaria ficou conhecida como pimenta-do-reino. A expressão “do reino” era utilizada para identificar produtos que chegavam por intermédio de Portugal, como ocorreu também com a farinha-do-reino e o queijo-do-reino. Assim, embora originária da Índia, a pimenta recebeu essa denominação por chegar ao Brasil através do comércio português.
Atualmente, a pimenta-do-reino possui grande importância econômica no Brasil, especialmente no estado do Pará, tradicional produtor e exportador da especiaria. Além das diferentes variedades de pimentas, outras especiarias, como canela, cravo e gengibre, também fazem parte da história da alimentação e do comércio mundial.
Fonte: LODY, Raul. Brasil Bom de Boca: temas da antropologia da alimentação. Editora Senac, p. 36.
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